Calmo Desassossego


Amor sem primeira vista

Há 12 anos atrás eu mudei pra casa em que hoje moro. Lembro que foram dias de procura com meu Pai, minha Mãe e meu Irmão, todas as casas que olhávamos tinha uma coisinha especial pra mim e pro meu irmão, éramos crianças e em tudo enxergávamos um motivo pra bagunça que fazíamos que não era pouca. Quando cheguei na casa escolhida, que é a que eu vivo até hoje, passei meus olhos por todos os cantos, vi o jardim e o quintal enormes, cheios de plantas, era a casa perfeita! - Pai compra essa! Compra! - Fui logo escolher meu quarto quando ele disse que sim, maior do que o do meu irmão óbvio, mulher sempre precisa de mais espaço, pensava eu.

E desde quando moro aqui que estou no mesmo quarto, na primeira reforma que resolveram fazer, pedi pra pintar 3 paredes de rosa e uma de amarelo, ia ficar a minha cara. Já passava muito tempo no meu quarto, quando ele ficou todo bonitinho como eu queria, não saia mais de dentro, sempre gostei de ter meu cantinho, o meu espaço, onde eu pudesse pensar nas coisas sem que ninguém pudesse me interromper (como estão fazendo agora enquanto escrevo isso aqui, chega minha veia treme de raiva).

Pois dia desses fui escolher novas tintas pra pintar meu quarto, azul e verde bem clarinho, e dessa vez não estou pensando nenhum pouco em mim, é que eu vou ser mãe e nunca imaginei que ser mãe despertasse um sentimento tão maravilhoso como este em uma mulher, não penso em nada pra mim, é tudo pra Ele. Desprovida de qualquer sentimento de egoísmo. É um amor tão sublime e encatador que é impossível de ser definido em palavras sem que lhe falte os méritos merecidos. Meu quarto não é só meu agora, já divido com um grandão que rouba quase todo o espaço da minha cama, mas sem ele, ela nem teria tanta graça assim, que venha nosso neném, para que eu possa perder ainda mais meu espaço no quarto e ganhar mais espaço no mundo dos sentimentos.



Escrito por Priscila Martins às 11h32
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Gostaria de aprender a assimilar o tempo entre algo que passa rápido e não é mais visto por meus olhos e algo que passa rápido e fica preso na alma como se fosse impossível de arrancar o mínimo vestígio, de tanta importância. Não misturar as duas coisas, como se eu soubesse e fosse madura o suficiente para saber o quanto estão distantes uma da outra.

Tenho um problema sério em lidar com injustiça e mudanças bruscas demais, o tempo passa e acaba amenizando a "confusão" que fica, mas ainda assim muitas vezes não cai no esquecimento e quem sabe não deva cair, assim o aprendizado se torna algo que realmente faz parte de você, esquecer das coisas nem sempre é a melhor solução ou o caminho mais fácil.

Queria saber se alguém se olha no espelho como eu faço desde pequena.

 



Escrito por Priscila Martins às 10h55
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Deus e o Big Bang

Concordo plenamente com a teoria do Big Bang e acredito em Deus plenamente da mesma forma e não acho que esses dois pontos sejam divergentes. A teoria do Big Bang tem uma lógica inquestionável e até agora não há nada mais plausível que justifique a origem do mundo. Não é porque acredito em Deus que tenho que acreditar naquela história da bíblia das 24 horas em 7 dias e a do barro, para mim isso é a pura histórinha para boi dormir que a Igreja em sua "infinita sabedoria" não tinha coisa melhor que imaginar e fundamentou, desprovida de qualquer sentido científico. A fé precisa ser baseada em pontos sólidos, em lógicas que façam sentido e pelo menos que tenham alguma explicação. Essa coisa de Adão e Eva serem expulsos do paraíso por conta de uma "maçã proibida" não satisfaz minha mente inquieta, nem a de quem acredita que Deus não esteja apenas brincando de marionetes com bonecos, ainda mais esse boneco sendo Eu. Não quero dizer aqui que preciso de provas para ter FÉ, preciso de tudo isso para além de entender, amar verdadeiramente tudo o que está ao meu redor, como também para amar quem criou tudo isso da forma mais inteligente possível, a mais inteligente que consegiu preexistir. Os cientistas conhecem como tudo aconteceu, mas não consguem chegar a conclusão de PORQUE tudo isso aconteceu. Se eu perguntar-lhes de onde surgiu tudo o que começou com o mundo, eles podem até me responder em contrapartida, que eu também não sei explicar de onde veio Deus, mas eles também não têm a resposta de onde veio o Big Bang, que pode perfeitamente ter vindo de Deus, e de onde veio Deus? Eu sei lá, da minha mente, do meu coração, da inquietação da mente daquele que insiste em dizer que ele não existe sem provas, como eu digo que ele existe com a prova da "perfeição" da criação do mundo. Muito não sabem ter a humildade de reconhecer que existe uma inteligência inexplicável que rege uma série de acontecimentos e que nós não conseguimos compreender, não conseguimos perceber que estamos apenas dando voltas e não conseguimos alcançar a verdadeira lógica dos acontecimentos: DEUS! É tudo perfeito demais, simétricamente divido, para que simplesmente tenha acontecido. Ainda temos a prepotência de presumir que nosso planeta, a Terra, é o único que possui vida, Deus não faria isso com todo o resto, do mesmo jeito que outros planetas têm sido descobertos, um dia vamos chegar a exata conclusão de que não somos privilegiados coisa nenhuma e que há vida por toda parte, até no vazio que teima em nos confundir, e não só existe essa pobre vida sofrida que levamos aqui cheio de ingratidão pelo que é maior do que nós, mas vidas até mais miseráveis e outras tão sublimes que ainda nem ouso descrever. O mundo não pode ser comparado a uma partidinha de futebol, em que tudo vai acontecendo a favor de um tempo que nem sequer é o verdadeiro. Deus existe sim! E não é nenhum velhinho de barbas brancas, é muito mais do que isso, muito maior, como seria alguém que ousasse criar o mundo com o Big Bang.



Escrito por Priscila Martins às 14h28
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andei afastada sim! por longas datas... mas mãe sempre procura o que fazer e com isso, as palavras voltaram a saltar.

ando parando demais, mas voltar sempre é bom.



Escrito por Priscila Martins às 13h14
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consigo entender plenamente a falta do que escrever quando muitas coisas acontecem ao mesmo tempo.

está tudo de cabeça pra baixo, me igualho a um morcego melhor do que um ser humano nesse momento, e apesar de o mundo ter virado, não estou tonta e caso venha a ficar, enjoar vai fazer parte de mim daqui pra frente, por alguns meses.

então, penso eu, na vida! como não pensar na vida? em outra, nessa, nas anteriores, na VIDA...

está tudo normal, não há preocupação, só cuidado, tanto pelas coisas que já foram, como pelas que ainda estão por vir.



Escrito por Priscila Martins às 10h08
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Nunca consigo por para fora a minha facilidade de sonhar, nem quando tento fracassada e involuntariamente dizer pra minha mãe que vivo mais em um mundo paralelo a este, do que nele mesmo. Prefiro sonhar, se vivesse só neste mundo, algumas vezes veria apenas uma triste e cruel realidade. Porém, sei que mereço estar aqui, mas também, agora não me importa!
 
Sei que em tudo vejo algo grandioso, com um futuro promissor, onde todos os cachorros (principalmente os meus) são imortais, onde todo relacionamento é aquele perfeito pelo qual sempre esperamos, mesmo que digamos que não, onde qualquer pessoa que eu conheça vai se tornar um grande amigo(a) verdadeiro(a) sem termos para falsidade e mesquinharia. Mas quem sabe, meu mundo seja apenas meu quarto, onde ele assiste de camarote a hora que se sentir atraído, meu maiores medos, segredos, lágrimas, sorrisos, amores... todo dia, como se estivesse acabado de redescobrir o mundo e experimentar pela primeira vez os mais diversos sentimentos que deveriam apenas estar acontecendo mais uma vez.
 
Ainda não consegui explicar este tal mundo para alguém, e isso me sufoca, quem fala demais sofre de língua solta e precisa da voz, do grito, de todas as surpresas. Talvez, esse mundo inteiro que tenho dentro de mim, simplesmente não tenha explicação alguma, não deva ser esmiuçado pelo português tão mal falado e escrito ao qual me limito.
Fernando Pessoa quem me fez descobrir o que é tudo isso que eu sinto, mesmo depois de morto. Não é [in]coerência, não introspecção e muito menos candura em demasia para um mundo cão, repasso o que me fez entender a situação: "sendo a vida essencialmente um estado mental, e tudo, quanto fazemos ou pensamos, válido para nós na proporção em que o pensamos válido, depende de nós a valorização. O sonhador é um emissor de notas, e as notas que emite correm na cidade do seu espírito do mesmo modo que as da realidade. Que me importa que o papel-moeda na minha alma nunca seja convertível em ouro, se não há ouro nunca na alquimia factícia da vida? Depois de todos nós vem o dilúvio, mas é só depois de todos nós. Melhores, e mais felizes, os que, reconhecendo a ficção de tudo, fazem o romance antes que lhes seja feito, e como Maquiavel, vestem os trajes da corte para escrever bem em segredo. [...] Ah!, não há saudades mais dolorosas que as das coisas que não foram!" Quando li isso apenas compreendi que não HÁ, apenas não HÁ, não posso falar de sonhos com todo mundo, porque muitos não o sabem fazer, interpretar, escutar, não se interessam. Pois a realidade pra mim não basta!



Escrito por Priscila Martins às 14h28
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